III Seminário Quilombação dia 10 de dezembro

A Rede Antirracista QUILOMBAÇÃO realiza no dia 10 de dezembro o seu III Seminário, aberto a todas(os) interessadas(os). O III Seminário será realizado em parceria com a Faculdade 28 de Agosto, o Sindicato dos Bancários de S. Paulo, a Editora Boitempo e o Instituto Luiz Gama. Ele será realizado no auditório do Sindicato dos Bancários de S. Paulo, na Rua São Bento, 413 – centro. (próximo ao metrô São Bento).

O momento atual em que se vive uma avalanche ideológica conservadora, com o avanço da direita em todos os países do mundo (destaque para a vitória de Donald Trump nos EUA), cerco às democracias das sociedades latino-americanas e um crescimento do pensamento nazifacista no Brasil.

O resultado eleitoral passado mostra a necessidade de se fortalecer o debate ideológico para o enfrentamento destas correntes direitistas.  Isto porque o racismo é uma ideologia de sustentação das desigualdades sociais estruturais no capitalismo dependente brasileiro.

A Rede Antirracista Quilombação, criada em 13 de dezembro de 2013 e que tem como o seu grande lema “A democracia não chegou na periferia” é formada por ativistas de São Paulo, Salvador, Porto Alegre, La Paz (Bolívia), Bogotá (Colômbia) e Austin (EUA) que pautam suas ações pela luta contra o capitalismo e o neoliberalismo, contra o extermínio programado da juventude negra e contra o machismo e a homofobia. Este seminário é um momento importante para a atualização das análises de conjuntura política e formação ideológica de todos aqueles que lutam por uma sociedade mais justa.

Participe do III Seminário Quilombação. As inscrições são gratuitas.

PROGRAMAÇÃO

8h30 – Início do credenciamento

9h – Abertura: Dennis de Oliveira (Quilombação/SP); José Antonio (Quilombação/RS); Julio Cesar Silva Torres (Sind. Bancários), Valdir Estrela (Quilombação/BA); Carlos Guterrez (Quilombação/Colômbia); Tatiana Azeñas (Quilombação/Bolívia); Julio Cesar (Sindicato dos Bancários SP); Representação da organização de imigrantes e refugiados africanos e haitianos no Brasil

Mediadora: Tatiana Oliveira (Quilombação)

10h – Mesa 1: Conjuntura nacional – Os impactos da PEC 241 e as políticas econômicas do governo Temer para a população negra

Expositores – Dennis de Oliveira (Quilombação/USP), Rosane Borges (USP), Silvio Almeida (Inst. Luiz Gama/Mackenzie), Márcio Farias (Nepafro), Alessandra Devulsky (a confirmar), Ana Tércia (Faculdade 28 de Agosto)

Mediadoras: Maria Gloria Calado (Quilombação)

LANÇAMENTO DA EDIÇÃO 27 DA REVISTA MARGEM ESQUERDA – DOSSIÊ MARXISMO E RELAÇÕES RACIAIS

12h30 – Intervalo para almoço

14h – Mesa 2: Mulheres negras e a luta contra a opressão de classe, gênero e etnia

Expositoras – Tatiana Oliveira (USP – Quilombação), Eliete Edwiges Barbosa (PUC – Quilombação) e Maíra Moraes (USP – Quilombação)

Mediadora: Márcia e Télia Lopes (Quilombação)

16h – Intervalo para café

16h30 – Mesa 3: Juventude Negra e a luta contra o genocídio

Expositor@s: Cláudia Rosalina Adão (USP – Quilombação), Marcelo Cavanha (Quilombação), Natália (Iniciativa Negra para uma Nova Política de Drogas), Joselício Junior (Círculo Palmarino)

Mediadores: Fábio Lopes da Silva e Manuela (Quilombação)

LANÇAMENTO DA CAMPANHA “UM POVO SEM MEMÓRIA NÃO É UM POVO LIVRE”

18h – Plenária final de encerramento

– Apresentação da Carta do III Seminário

– Apresentação da Comissão Política da Rede Quilombação

– Fala de representantes das organizações convidadas

FAÇA A SUA INSCRIÇÃO GRATUITA PREENCHENDO O FORMULÁRIO DISPONÍVEL AQUI

https://goo.gl/forms/9QfmmyA8LuVeIaci2

 

Nota do Coletivo Quilombação: ATAQUES RACISTAS IMPEDEM DIREITOS DEMOCRÁTICOS A NEGROS E NEGRAS

A participação de negros e negras nos processos eleitorais sempre foi marginal na sociedade brasileira. Mais ainda a agenda de combate ao racismo. Apesar dos avanços institucionais nos últimos anos, como a aprovação de leis que criminalizam o racismo, que introduzem conteúdos sobre a história do negro nos curriculos escolares e as cotas nas universidades federais e no serviço público, quando se trata de presença de negros nos parlamentos e nos cargos de governo a situação pouco mudou.

Segundo dados do TSE, em 2010 apenas 3,7% dos parlamentares estaduais e federais eleitos são negros. No Congresso Nacional, este número é inferior a 10%. A população negra brasileira é de aproximadamente 50%.
A baixa representação de negros e negras no parlamento revela a elitização deste poder. O financiamento privado das campanhas eleitorais as transformou, em 2014, na eleição “mais cara” da história brasileira. Com isto, candidatos com apoio de grupos empresariais e grandes corporações econômicas acabam tendo uma maior visibilidade e condições melhores de serem eleitos que os demais. De fato, os empresários compõe quase 1/3 do parlamento.
Entendemos que esta distorção é fruto do racismo, no qual reserva a negros e negras lugares subalternizados de poder. Com isto, a agenda anti-racista fica comprometida de ser discutida publicamente pela pequena presença de negros e negras nos espaços institucionais. E os poucos negros e negras que conseguem furar este bloqueio sofrem constantes ataques de reputação.
Observamos isto na campanha atual. Além dos poucos candidatos negros e negras não terem estruturas de campanha significativas que possibilitem a sua eleição, ainda sofrem frequentemente ataques as suas reputações pessoais. Dois exemplos demonstram isto.
Orlando Silva, candidato a deputado federal pelo Partido Comunista do Brasil, foi ministro dos Esportes e teve a sua reputação achincalhada por denúncias de corrupção fartamente divulgadas pela mídia com base em acusações de uma fonte que, inclusive, está sendo processada por desvio de dinheiro público. As denúncias custaram o seu cargo que, entre outras coisas, possibilitaria que ele tivesse papel de destaque na organização da Copa do Mundo de futebol realizada no Brasil em junho/julho deste ano. Em outras palavras, impediu-se que um brasileiro negro fosse o principal protagonista de um evento esportivo de visibilidade internacional.
As denúncias contra Orlando Silva foram arquivadas pela Comissão de Ética por falta de provas. A sua absolvição não foi noticiada com o mesmo destaque pela mídia e sua reputação foi assassinada com este jornalismo de campanha. Hoje, Orlando Silva é suplente de vereador na cidade de São Paulo e luta por uma cadeira no Congresso Nacional, tendo ainda que constantemente enfrentar esta imagem negativa construída pela mídia.
Cleide Donária é candidata a governadora estadual em Minas Gerais pelo Partido da Causa Operária (PCO). Entre outras bandeiras, Donária defende a desmilitarização da polícia (bandeira do movimento negro). No dia 14 de setembro, a candidata do PCO foi agredida com um soco por uma pessoa não identificada que, além de cuspir nela e ainda a chamou de prostituta, preta e vagabunda. Apesar de haver câmeras no local, o agressor ainda não foi identificado.
A deputada estadual Leci Brandão, também do PC do B, também recebeu ataques de pretensos evangélicos neopentecostais por conta da sua militância em defesa das religiões de matriz africana. Estas religiões têm sofrido constantes ataques aos seus espaços sagrados por grupos autointitulados evangélicos sob a alegação de que são religiões “satânicas”. Impedem, assim, o direito a liberdade religiosa. Lembramos que Leci Brandão é a segunda mulher negra a ser deputada em São Paulo.
Estes dois episódios não são isolados. Ao mesmo tempo que negros e negras reivindicam novos espaços, denunciam o racismo e exigem políticas de ação afirmativa, cresce a militância reacionária, principalmente nas redes. O goleiro do Santos F.C., Aranha, que denunciou o racismo de torcedores do Grêmio que o chamaram de macaco – fato que levou ao indiciamento de uma torcedora do clube flagrada pela TV cometendo o crime – foi hostilizado pelos torcedores em uma outra partida com vaias e ironizado por uma repórter de emissora local. Esta semana surgiu a denúncia da criação de páginas na rede Facebook em apoio à torcedora e as práticas racistas, criminalizando e ridicularizando personagens negras. No mesmo diapasão, a TV Globo lança a série “O sexo e as nega” que retrata a mulher negra como objeto hiper-sexualizado, uma síntese da opressão machista e racista. E parcela de artistas e personalidades do mundo artístico se unem em defesa do autor da série, criticando os ativistas anti-racistas.
Enfim, todos estes episódios demonstram o acirramento do enfrentamento do racismo no Brasil. O avanço pequeno de negros e negras em determinados espaços que até então lhes eram negados, como a universidade, o parlamento, as instituições governamentais, entre outros e também a tipificação e denúncia de comportamentos racistas em todas as áreas gera incômodos em grupos sociais acomodados com os seus privilégios raciais. Estas manifestações racistas impedem que direitos fundamentais, como o direito a ser votado, o direito a estudar, o direito de expressar sua religião, o direito a ter sua imagem preservada, a presunção da inocência, entre outros, sejam garantidos a negros e negras. Impõe-se, assim, um estado de sítio, uma negação dos direitos civis a negros e negras, um verdadeiro ataque à democracia.

PARTICIPE DA RODA DE CONVERSA DO DIA 11 DE SETEMBRO, AS 19H30 NA FUNARTE

Quilombativistas e amigos(as):

O momento político atual de eleições é de vital importância para a luta contra o racismo. Candidatos e candidatas se revezam nas campanhas, uns prometendo apoiar as bandeiras do movimento negro, outros com propostas que vão contra os nossos princípios, como a defesa do recrudescimento da violência policial, e outros que sequer tocam nos problemas mais graves que nos afetam. Percebe-se que o sistema eleitoral vigente, viciado pela forte presença do poder econômico, pouco espaço dá para a discussão das nossas temáticas. 

O Coletivo Quilombação, como uma entidade suprapartidária, não apoia oficialmente nenhum candidato, mas não se furta a discutir o momento político. Por isto, de acordo com o que foi decidido na sua última roda de conversa, elaborou um projeto político que faz uma análise do Brasil, de como as dinâmicas das relações raciais se desenvolvem e qual deve ser o nosso objetivo. 

Para nós, do Quilombação, não é possível avançar muito na luta contra o racismo mantendo o atual sistema de poder político, econômico e social, independente de governos ou de eventuais vitoriosos nas eleições, embora seja importante elegermos candidatos com o nosso perfil. Por isto, o nosso projeto político transcende o momento eleitoral e aponta para a necessidade de negros e negras construir um PODER POPULAR. 

Vejam os detalhes no documento. Independente das suas preferências partidárias e/ou eleitorais, venha participar desta discussão no DIA 11 DE SETEMBRO, AS 19H30, NO AUDITÓRIO DA FUNARTE, ALAMEDA NOTHMANN, 1058. Acima de tudo, nós quilombativistas acreditamos na construção coletiva dos projetos.

projetopoliticodoquilombacao

DIA 19 DE JULHO, RODA DE CONVERSA DO COLETIVO QUILOMBAÇÃO NA FUNARTE. COMPAREÇAM!!!

TERCEIRA RODA DE CONVERSA DO QUILOMBAÇÃO:
DIA 19 DE JULHO NA FUNARTE AS 10H00
Pauta:
1 – Informes
* Novos membros e colaboradores do Quilombação
* Dia Internacional da Mulher Negra Latino-americana e caribenha – evento dia 25/7 na Câmara Municipal
* Reedição do livro do Clóvis Moura – Dialética Radical do Brasil Negro
* Parceria com o Geres (Grupo de Estudos sobre Relações Étnicas no Serviço Social) – mesa sobre marxismo e racismo no ENPESS
* Quilombativistas prestes a serem mestres: Henry, Tatiane e Fabrício
* Quilombativistas prestes a serem especialistas: Maíra
* Quilombativistas prestes a serem graduados: Danilo e Érika
(Se tiver mais alguém, completem a lista)

2 – Posicionamento do Quilombação na discussão eleitoral de 2014

3 – Funcionamento dos GTs (informes, orientações e diretrizes)

4 – I Seminário Quilombação (data, formato, temas)

5 – Movimento hip-hop contra a regulamentação (Cavanha)

6 – Marcha Mundial das Mulheres Negras 2015

7 – Atividade de finanças junto com a Unegro/SP em agosto (feijoada)

AO FINAL, FEIJOADA PARA COMEMORARMOS NOSSO ENCONTRO E AS QUALIFICAÇÕES DOS QUILOMBATIVISTAS.

LOCAL: FUNARTE – ALAMEDA NOTHMANN, 1058 – próxima a Estação Santa Cecília do Metrô. C OMPAREÇAM!!!

Guia da Copa do Mundo dos Direitos Humanos, lançamento lota casa na Funarte

No dia 4 de julho, foi lançado o Guia da Copa do Mundo dos Direitos Humanos, projeto que foi idealizado e promovido pelo Coletivo Quilombação, Celacc, NEV (Núcleo de Estudos da Violência) e Andhep (Associação Nacional de Direitos Humanos – Pós Graduação e Pesquisa). Houve um debate concorrido sobre o racismo no futebol, com a participação do coordenador da Comissão Política do Quilombação, Dennis de Oliveira; o pesquisador do NEV, professor Vitor Blotta, o ativista da Unegro, Karl Pinheiro e a mediação da quilombativista, Tatiana Oliveira. O guia está disponível para download clicando aqui. O lançamento do guia foi o maior evento do movimento negro em relação ao debate sobre o racismo e os direitos humanos no futebol no ano da Copa do Mundo.

Vejam as fotos do evento.

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